domingo, 16 de janeiro de 2011

O ESTILO ROMÂNTICO NO CINEMA



A leveza e a atmosfera romântica definem os contornos do filme Brilho de uma paixão (Bright Star, 2009). Dirigido pela diretora neo-zelandesa Jane Campion, o filme concorreu a Palma de Ouro em Cannes, prêmio este que ela havia ganho em 1993 com O Piano. Com o enredo que gira em torno da paixão do poeta inglês John Keats por Fanny Brawne, os atores Ben Whishaw e Abbie Cornish esbanjam uma sensualidade delicada que vai se desenvolvendo em meio aos gestos castos e derramados tão típicos do Romantismo. O movimento, que teve boa parte de suas características desenhadas ainda no Pré-Romantismo, tem uma essência (no tocante ao Brasil que se identifica mais com a segunda geração romântica) que já pode ser encontrada no Sturm und Drang, ou Tempestade e Ímpeto, nascido na Alemanha. Este levantava a bandeira contras as regras e as imposições do Classicismo, traço este que será adensado no Romantismo.  O conceito de “gênio” –fundamento da criação poética, nas doutrinas do Romantismo – é uma força alheia ao domínio da razão, insusceptível, de ser submetida a preceitos, fato que o liga ao Sturm und Drang. Características marcantes do estilo romântico brotam no terreno dos primórdios do movimento: valorização do sentimento (o coração é a fonte por excelência dos valores humanos); a melancolia, o desespero, a angústia, a tristeza irremediável, a agitação sombria, a morte, os dolorosos presságios, etc.
O filme em questão trabalha com todos estes fatores, metaforizados nos gestos, nas falas e nos cenários.  As cenas construídas ao ar livre, em tardes iluminadas por um céu claro e um sol pálido são reforçadas por momentos escuros e frios, onde a chuva e a neve tomam conta da tela. O amor casto e respeitoso que Keats nutre por Fanny é representado em meio aos anseios de um poeta que está começando a escrever. Numa das cenas do filme alguns personagens discutem a poesia de Keats, atraindo a atenção de Fanny, que logo após ler o seu "Endymion”, e principiando um interesse amoroso, pede que ele lhe ensine poesia.  A trilha sonora que conta com a “Serenade in B flat, K361, Adágio” de Mozart é cosida por momentos em que entramos em contato com trechos da poesia de Keats.
Acredito que esta é uma excelente ferramenta para o professor que deseja trabalhar as particularidades formativas do Romantismo, relidas por um diferente recurso de mídia: o cinema. Por vezes, a aula feita no quadro e giz ou apenas explanatória torna-se cansativa e, algumas vezes, não abarca a multiplicidade de um assunto. Sempre consegui memorizar mais facilmente uma história, após vê-la transformada em linguagem cinematográfica, salvo, é claro, casos como as adaptações de alguns livros que deturpam a essência (digo, a informação estética) dos mesmos. Enfim, esta é uma dica não só para professores de literatura, mas também para aqueles que gostam de cinema. Aqui no Brasil, pesquisando alguns sites sobre Keats, descobri que Augusto de Campos (sempre ele, o incansável) traduziu o poeta inglês. A seguir, um trecho do  "Endymion" por Augusto de Campos:



Endymion (trecho)

O que é belo há de ser eternamente
Uma alegria, e há de seguir presente.
Não morre; onde quer que a vida breve
Nos leve, há de nos dar um sono leve,
Cheio de sonhos e de calmo alento.
Assim, cabe tecer cada momento
Nessa grinalda que nos entretece
À terra, apesar da pouca messe
De nobres naturezas, das agruras,
Das nossas tristes aflições escuras,
Das duras dores. Sim, ainda que rara,
Alguma forma de beleza aclara
As névoas da alma. O sol e a lua estão
Luzindo e há sempre uma árvore onde vão
Sombrear-se as ovelhas; cravos, cachos
De uvas num mundo verde; riachos
Que refrescam, e o bálsamo da aragem
Que ameniza o calor; musgo, folhagem,
Campos, aromas, flores, grãos, sementes,
E a grandeza do fim que aos imponentes
Mortos pensamos recobrir de glória,
E os contos encantados na memória:
Fonte sem fim dessa imortal bebida
Que vem do céus e alenta a nossa vida.

(KEATS, John. "From Endymion" / "Do Endymion". In: CAMPOS, Augusto de. Byron e Keats: Entreversos. Traduções de Augusto de Campos. Campinas: Editora Unicamp, 2009.)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

JESUS NO CASTELO DE PILATOS?



O que está acontecendo com a Igreja Evangélica no Brasil? Invadida por uma enxurrada de teorias que deturpam os princípios bíblicos cristãos? Há algumas semanas zapeando canais na minha televisão, me deparei com um programa dito “evangélico protestante” que prometia aos telespectadores uma vida abastada de jantares opulentos, cujo saldo final a pagar seria de míseros 10 mil reais. O quadro era simbólico: figuras alimentícias da fina nobreza mundial. Vinhos raros, caros, caviar, carnes elaboradas cozinhadas com os mais exóticos temperos e o apelo típico “Deus pode te proporcionar tudo isso, meu irmão”.
            Se as ideias que enchem as igrejas embasadas na prosperidade divina tivessem construído a figura de Jesus, de certo que ele teria nascido no castelo de Pilatos. Como aceitar que o filho de Deus nasceria na família de um pobre carpinteiro? Viria ao mundo rodeado por animais num estábulo? Andaria a pé ou de barco em vez de cortejado por carruagens e soldados? Tenho me controlado toda vez que mudo de canal e me deparo com estas barbaridades. As pessoas não querem mais a Cristo, mas os bens que Cristo pode proporcionar. Deus foi transformado em banco ou talvez num agiota daqueles. Se fizermos um investimento FINANCEIRO ele deve nos retornar com mais dinheiro, se nós não cumprirmos com nossas “obrigações financeiras” ele ceifa o que já foi dado e, às vezes, nos enche de doenças incuráveis, incompreensíveis até pela mais competente equipe de médicos.
            O que está acontecendo com a mensagem da cruz? O sofrimento de Cristo? Quem foi Cristo? Um rei que habitava um maravilhoso castelo? As pessoas não lêem mais a Bíblia?  O que mais me entristece é que pessoas que não conhecem a Cristo têm sido alvejadas todas as vezes que ligam a televisão por teorias egoístas e mentirosas, que pregam que o céu é aqui, que devemos buscar riquezas, que o DINHEIRO É FELICIDADE. O que a Bíblia fala de amontoar riquezas? Cristo no evangelho de Lucas, capítulo 12. 19 -21 “E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.”  O que dizer deste outro versículo de Mateus 19.24 “E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” Provérbios 11.24 “Ao que distribui mais se lhe acrescenta, e ao que retém mais do que é justo, é para a sua perda.” Ainda este de Provérbios 28.6 “Melhor é o pobre que anda na sua integridade do que o de caminhos perversos ainda que seja rico.”
Poderia citar vários versículos que contrariam este tipo de pensamento veiculado nos canais que se dizem evangélicos. Buscar a Cristo é difícil, as pessoas zombam de você, procurando te contradizer, te ridicularizar, apontando a “verdadeira liberdade de pensamento”, nos chamando a sairmos das nossas “cavernas”.  Há momentos dolorosos, perdas, doenças, como acontece a qualquer ser humano, a diferença é o produto da fé nas nossas atitudes, pensamentos, comportamentos. Cristo transforma! Eu assisti muitos milagres feitos com a fé depositada em Cristo Jesus. Ninguém disse que seria fácil ser cristão, essa é a verdade da palavra de Deus, segue quem quiser, ninguém é obrigado a acreditar, Cristo não obrigou ninguém, ele veio a terra apontou os caminhos da fé, mas não pegou no braço de ninguém e disse “você VAI me seguir”, obrigando. Eu só peço que aqueles que não conhecem a Bíblia, possam ler antes de emitir qualquer pensamento a respeito de Cristo. Conheçam quem foi Jesus na fonte, não pensem que meia dúzia de ensinamentos deturpados, homens que se dizem pastores, mas se comportam como lobos definem que foi Jesus. Infelizmente, essa é natureza pecaminosa do homem, até mesmo nossos bons atos são “trapos de imundícia” para Deus: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.” Isaías 64.6  Jesus é diferente de nós, portanto não confundam as coisas. A Bíblia está acessível na Internet e nas livrarias, leiam e conheçam quem foi Jesus. Eu creio que a verdade liberta.
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8. 32
Amém.